Vinho Novo e Odres Velhos!

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É bastante conhecida no meio cristão a alegoria feita por Yeshua (Jesus) no Segundo Capítulo do Evangelho de Marcos, com referências equivalentes em Mateus 9 e Lucas 5: "E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos." (Mc 2:22).

No entanto, a interpretação deste texto, através da história, alcançou conotações completamente distantes do significado real das palavras de Yeshua (Jesus). E esta interpretação errônea serviu, em diversos momentos, como justificativa para a rejeição não só dos judeus, mas de tudo o que diz respeito ao judaísmo ou mesmo às Sagradas Escrituras Judaicas, que nada mais são a não ser o chamado Velho Testamento dos cristãos, parte inegável de sua Bíblia.

Declarações como as que se seguem foram comuns dentre os teólogos de várias gerações:
"Não se coloca o vinho generoso do evangelho nos odres envelhecidos do Judaísmo."
"A alegoria é clara. A roupa nova e o vinho novo são o evangelho; a roupa velha e os odres velhos são a antiga Lei"
"Cedo, Jesus declara incompatíveis as antigas instituições com a nova ordem; o velho, definitivamente terminado, dá lugar ao reino do novo."

Certamente há, ainda hoje, muitos que assinariam embaixo de cada uma destas afirmações. Mas, num tempo profético como o que vivemos, precisamos conferir: será isso mesmo o que Yeshua (Jesus) quis dizer? Como bem nos afirma o escritor Jules Isaac "toda a vida de Jesus, e suas próprias palavras, as mais solenes, desmentem tal interpretação."

"Comparar a Torá - a Lei Judaica - como um "velho odre" no qual não se pode colocar o "vinho novo" do Evangelho", ele acrescenta, "é uma idéia quase sacrílega, que nunca roçou o espírito de Jesus. Ele disse exatamente o contrário, e sem parábolas: "Não vim para destruir , mas para dar plenitude" (Mt 5:17). Mas também em Parábolas, ele acrescentou: "Todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que do seu tesouro tira coisas novas e velhas" (Mt 13:52) . Ao falar, pois, de odres envelhecidos, Jesus se referia à tradição farisaica e não à Lei."

De fato, se analisarmos o significado exato da palavra Lei no hebraico, chegamos à "Torá", que quer dizer exatamente ensinamento. E os ensinamentos bíblicos do Antigo Testamento não foram, definitivamente, anulados, mas plenificados ou melhor revelados em Yeshua (Jesus). Neste sentido, é interessantíssimo observar que os ensinamentos Dele foram uma repetição dos ensinos judaicos, apenas com as correções necessárias dos abusos e excessos e não uma rejeição taxativa.

Na verdade, se Yeshua veio para o Povo de Israel em primeiro lugar, como poderia Ele chegar afirmando que tudo o que antes foi ensinado por D'us mesmo, através de seus servos, não teria mais valor e deveria ser jogado fora, como velho e inútil? Jules Isaac nos auxilia nesta afirmação: "Pedir ao povo Judeu que se libertasse de uma lei que ele venerava como tendo sido ditada por D'us mesmo, pedir isto que Jesus nunca pedira, em verdade era pedir o impossível."

Desta forma concluímos que vinho novo e odres velhos são incompatíveis sim, mas dizem respeito à tentativa de querer enquadrar o novo nos moldes antigos, ou seja, com tradições, costumes e práticas que na verdade nunca deveriam ter sido empregadas, mas que se tornaram um hábito antigo, por ter sido tantas vezes repetido. É como aquele vício pernicioso, que, numa família, às vezes passa, infelizmente, de geração para geração e não permite o questionamento e a mudança, antes prende e amarra as vidas.

Não é comum ouvir algumas pessoas dizerem: "eu sou assim e vou ser assim até morrer"? Ou "eu fiz esta opção e não mudo!" Mas, se a verdade trouxer outro significado, outra forma, outra opção, será que permaneceremos parados, ultrapassados e resistentes?

Foi exatamente isso o que Yeshua (Jesus) quis dizer: Não podemos ficar presos ao passado a tal ponto de não aceitarmos o presente ou o futuro. Mas o passado tem que nos levar ao crescimento, à evolução, à plenitude. E Isso não tem nada a ver com negar o judaísmo ou os ensinamentos Bíblicos antes da redenção em Yeshua (Jesus). Mas sim em reunir as revelações de antes e de depois, torná-las uma só, com começo, meio e também fim, agrupá-las na dimensão Divina do processo de Seus Planos, reconhecê-las como uma só sob a perspectiva Soberana de D'us.

Foi por isso que na outra passagem citada, de Mateus 13:52, Ele diz: "... Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas." Portanto, se o "velho" tinha que ser totalmente rejeitado, por que Yeshua (Jesus) teria feito este comentário? Aqui Ele reforça exatamente esta idéia do todo, da plenitude: o velho e o novo, agrupados. Não substitutos. Por isso, o vinho novo não é adequado para o odre velho. Cada um deve ocupar o seu lugar. Mas um não anula a existência do outro e nem quer dizer que um é pior do que o outro.

Aliás, em se tratando de vinhos, quem não sabe que os melhores vinhos são os mais antigos, que mais tempo ficaram engarrafados? E isso também não é para anular o novo, mas para demonstrar que o novo ainda precisa ser "curtido", tratado, para estar no ponto ideal. E será que isso não nos fala da plenitude de todas as coisas, que ainda não chegou?

Que sejamos, pois, sábios para perceber o que a palavra bíblica nos diz, em vez de sairmos tirando conclusões precipitadas. Porque, se pegarmos versículos isolados e fizermos a partir daí a nossa interpretação, estaremos chamando a Bíblia de contraditória. E, definitivamente, ela jamais o será. Mas requer uma leitura consciente e inequivocada, sempre na presença e unção do Ruach Adonai (Espírito do Senhor), como bem nos orientou o apóstolo Pedro: "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de D'us falaram inspirados pelo Espírito Santo."(2 Pd 1:20,21).





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